O tempo cai bem aos inteligentes

Não gosto de modismos. Nunca entendi o que é estar na moda. E a palavra tendência me causa estranhamento.  Então, não me venha rotular de perennial. Acho esse termo, aparentemente inventado para fugir de rótulos, nada mais que um chavão publicitário. Feito para rotular.

Quando me dizem: “Você não parece a idade que tem”, não entendo bem o que essa frase quer dizer. Na minha cabeça, não só pareço, como me sinto uma mulher nascida nos anos 70. E não falo apenas de mim, olho minhas contemporâneas, e vejo o mesmo. Tirando uma ou outra que chutou o pau da barraca com álcool, ou má alimentação, estamos todas no mesmo barco e, diga-se de passagem, muito bem, obrigada.

Hoje em dia, se fala tanto que a idade não é apenas uma questão cronológica, mas também não concordo com esta máxima. É claro que a idade não precisa te definir, mas ela traz um peso. E tal peso que os anos de uma pessoa na terra carregam precisa ser visto com carinho e respeito. Nem que sirva ao menos para entender que o nosso prazo, nesta orbe, está ficando cada vez mais perto de expirar, e que consequentemente devemos levar isto com a devida  seriedade.

Há de se levar em conta que chega uma idade na vida em que não há mais tempo a perder com mesquinharias e sandices. Ou seja, a idade traz responsabilidades, sim, e a mais importante destas é saber que o nosso tempo na terra é limitado, portanto devemos ter discernimento para fazer escolhas que nos beneficiem.

E por falar em escolhas…

Durante muitos anos, me relacionei seriamente com homens mais novos do que eu. Em média, eles tinham entre dez e quinze anos a menos. Contudo, na minha cabeça, eu achava que o fato de eles serem mais novos era mera coincidência. Confesso que demorei a entender que namorar garotões era um padrão de comportamento enraizado no meu ser. E quando a ficha caiu, resolvi desativar a creche.

Um dos acontecimentos que me fez repensar meu currículo amoroso se deu assim: certa bela noite, um desses garotões ‒ abençoados com os músculos sarados da juventude ‒ com os quais eu me relacionava, de tão chapado que estava, deixou cair uma guimba de maconha no chão do meu apartamento, antes de irmos para o cinema. Detalhe, não sou e nem nunca fui usuária de 4:20, ao contrário. Sou careta, no drugs for me. Mas meu então namorado era usuário. Quando voltamos do cinema, já no corredor, pude sentir o cheiro de queimado vindo do meu apartamento. Ao abrir a porta, minha sala estava pegando fogo. E foi então que ele me disse ter jogado, sem perceber, o resto do bagulho no tapete.

Agora veja se teve graça, eu, do alto dos meus 41 anos, ter tido o meu apartamento quase todo queimado, porque o meu boy era o Debi & Lóide numa só pessoa.

E foi depois desse episódio fatídico da minha vida amorosa que falei para mim mesma: “Para Juliana, tá feio. Você não tem vocação para ”papa-anjo”.

E sim, o peso da minha idade me fez pensar que já estava ficando ridículo esses namorados todos que pouco tinham a ver comigo. Pois, uma coisa é certa… você, com 22 anos, namorar um chapado semidébil mental não tem grandes problemas, mas aos 41?! Faça-me a favor!

Logo, não me venha com essa de que sou da geração ageless, vulgo, periannels.  Não sou sem idade, sou uma mulher de 47 anos, nascida no ano de 1972, e com a total noção do que significa ser uma mulher de meia-idade. Fingir não ter idade me dá a estranha sensação de perder algo que, na verdade, só me fez ganhar.

Os anos me trouxeram ‒ e cada ano que passa ainda me traz ‒ sabedoria, e eu pretendo usá-la sabiamente.

Share on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de email não será publicado.
Campos marcados com * são obrigatórios.